Análise: Com Pezzolano, Inter não pode abrir mão da linha de cinco para escapar do rebaixamento
Sistema protege melhor a área, fortalece o meio-campo e libera Alan Patrick e Carbonero para atuarem mais próximos do ataque. O Internacional encontrou na linh...
Sistema protege melhor a área, fortalece o meio-campo e libera Alan Patrick e Carbonero para atuarem mais próximos do ataque.
O Internacional encontrou na linha de cinco defensores uma solução que não pode ser abandonada neste momento decisivo do Campeonato Brasileiro. Mais do que uma escolha de formação, o sistema oferece ao time uma proteção que vinha faltando, principalmente para defender a área por baixo e diminuir os espaços concedidos ao adversário.
A mudança também não beneficia apenas o setor defensivo. Com três jogadores fechando o meio-campo e fazendo a cobertura dos espaços, o Inter consegue proteger melhor a região central e, ao mesmo tempo, dar mais liberdade para seus jogadores de maior capacidade ofensiva. Alan Patrick e Carbonero, por exemplo, podem flutuar mais e participar das ações de ataque sem carregar o mesmo peso de recomposição.
É justamente esse equilíbrio que o Inter precisa encontrar para sair da situação em que se colocou. Em uma equipe que vem sofrendo com problemas defensivos e falta de consistência, não existe espaço para abrir mão de uma estrutura que aumenta a proteção sem necessariamente impedir o time de atacar.
Os números mostram que o caminho funciona
Os próprios números do Campeonato Brasileiro reforçam essa tese. A escalação que apresentou o melhor aproveitamento do Internacional na competição, de 45%, foi utilizada justamente antes da parada para a Copa e tinha uma estrutura com cinco jogadores na última linha e três homens no meio-campo.
Na ocasião, o time foi formado por Anthoni; Vitinho, Bruno Gomes, Mercado, Juninho e Matheus Bahia; Villagra, Bruno Henrique e Bernabei; Carbonero e Alerrandro. É uma configuração que deixa clara a intenção de Pezzolano: proteger a área com cinco jogadores, povoar o meio e liberar os homens mais ofensivos.
E existe um detalhe ainda mais importante nessa discussão: não basta simplesmente colocar três zagueiros em campo e acreditar que o problema estará resolvido. Quando o Internacional tentou utilizar o mesmo desenho com três zagueiros de origem, não conseguiu vencer uma única partida no Brasileirão.
Isso mostra que a questão não está apenas no número de defensores. A característica dos jogadores que ocupam cada função é fundamental para fazer o sistema funcionar. Laterais ou alas com capacidade de avançar, recompor e ocupar diferentes corredores dão outra dinâmica à formação.
O Inter precisa proteger a área sem perder força
É por isso que Pezzolano precisa ter cuidado para não abandonar a linha de cinco justamente quando encontrou uma estrutura capaz de dar maior segurança ao time. O Colorado não está em uma situação em que pode se dar ao luxo de testar novamente soluções que já não apresentaram resultado.
A prioridade precisa ser clara: primeiro, diminuir os espaços concedidos; depois, aproveitar a qualidade de Alan Patrick, Carbonero e dos demais jogadores ofensivos. A linha de cinco não precisa transformar o Inter em uma equipe defensiva. Pelo contrário, pode ser justamente a base para que o time ataque melhor.
Com mais proteção atrás, os jogadores de frente conseguem receber em posições mais favoráveis. E isso é especialmente importante para Alan Patrick, que não deveria passar boa parte da partida preocupado em perseguir adversários até a própria área.
O próximo teste será contra o São Paulo, no sábado, às 21h, no Morumbi. Uma vitória pode levar o Internacional aos 32 pontos e tirar o clube da zona de rebaixamento, dependendo dos resultados dos concorrentes. É uma partida em que o Inter precisa entender que organização vale tanto quanto necessidade de vencer.
Pezzolano precisa entender o momento
Neste momento do campeonato, insistir naquilo que oferece maior segurança é muito mais importante do que buscar uma formação considerada mais ofensiva no papel. O Inter precisa de pontos, mas precisa, principalmente, parar de perder jogos por desorganização defensiva.
O Inter não precisa jogar bonito neste momento. Precisa ser competitivo, proteger sua área, controlar melhor o meio-campo e transformar sua qualidade ofensiva em pontos. Se a linha de cinco consegue entregar esse equilíbrio, abrir mão dela seria correr um risco desnecessário justamente na reta mais importante do campeonato.
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